Kabuverdi Mesti di Riferensias
Há uma doença silenciosa que não mata o corpo; mas mata a ambição.
Chama-se hipocrisia colectiva... e Cabo Verde conhece-a bem de mais.
É o país que diz querer inovação e desconfia de quem inova. Que diz admirar o sucesso e não suporta ver o vizinho crescer. Que celebra Cesária Évora depois da morte. Que reconhece os seus cientistas depois de serem reconhecidos fora.
Chegamos sempre tarde ao reconhecimento dos nossos próprios.
Existe um princípio em neurociência que explica tudo: o cérebro humano não pode desejar o que não consegue imaginar.
Para imaginar, precisa de referências.
Um jovem que nunca viu um compatriota construir algo de extraordinário dificilmente acredita que ele próprio pode. As referências não são luxo. São o combustível da imaginação colectiva.
E o problema de Cabo Verde não é falta de talento. É que esse talento raramente é celebrado em casa, com a intensidade com que é ignorado em casa.
A hipocrisia colectiva nasce do medo. De sociedades que sofreram muito e aprenderam que a segurança está na conformidade.
Mas num mundo que muda à velocidade da luz, a conformidade deixou de ser segurança. Tornou-se o maior dos riscos.
Por isso a frase é simples e profunda:
Akridita i inspira.
Acreditar é um acto de coragem. Inspirar é multiplicar. Cada cabo-verdiano que acredita genuinamente noutro cabo-verdiano não perde nada.
Ganha um país.
Pergunta-te hoje, honestamente:
Quando foi a última vez que apoiaste um projecto cabo-verdiano antes de ele provar que merecia?
A mudança não vai começar em Bruxelas nem no FMI.
Vai começar no momento em que um cabo-verdiano olhar para outro e ver não um rival, mas uma referência.
Kabuverdi mesti di nos. Di tudu nos.
Partilha se acreditas que Cabo Verde merece referências à sua altura.
Texto de Baessa Barros

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